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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Está pagina é direcionada ao publico, por Milton Roza Junior

Os três Milagres

Num dia de semana, esperando uma condução para dar início a uma nova jornada de trabalho, avisto a uns quinhentos metros um homem, tinha a aparência de quase quarenta anos; ele carregava em seus braços fraternais uma criança de mais ou menos cinco anos. Minha visão se detinha entre o ônibus que esperava e este senhor que se aproximava do ponto de parada andando cada vez mais lento. "Aquela criança não parecia ser nada leve." 
A uns dez metros, percebi a causa de tanto esforço, pois se tratava de uma criança especial, uma outra forma eufemista de se descrever, era que esta criança não tinha coordenação motora o bastante para andar durante tanto tempo.
O homem não estava com uma aparência de revolta por carregar aquela menina, pois, expressivamente, demonstrava um grande amor por esta pequena, e o amor remove o maior dos obstáculos. Acontece que no mesmo momento de sua chegada ao ponto, chega também seu ônibus. Então o cansado homem faz sinal quase que tardiamente, e o condutor, para variar, para o mais longe possível.
Vejo-o correr desesperadamente em direção à porta de acesso principal, porém, acontece o inesperado: a porta de trás se abre. Num reflexo de deixar sem ação qualquer mocinho de cinema e, com medo do motorista dar a partida precipitadamente, este cansado homem entra pela porta de trás deixando muita gente indignada.
"Mais um espertinho", disse uma jovem mulher.
"É na porta da frente!", disse outro com cara de absoluto.
 Eu estava do lado de fora, mas próximo do acontecido, e vi muitas pessoas "cheias de razão", interpretando egocentricamente seu ato, aparentemente vil.
 Acontece que um homem mesmo num deserto, e com uma flor entre as mãos, pode demonstrar sua boa conduta com um pequeno milagre; foi o que aconteceu. Em frações de segundos e antes do veículo continuar a sua jornada, um ambulante, destes que se infiltram em tudo, em qualquer meio de transporte, apareceu entre a multidão de gente que se acumulava dentro daquela "lata de sardinha" e veio até àquele pai visivelmente abatido, oferecendo-lhe que levasse o vale-transporte que já estava em suas mãos até ao trocador.
 Neste ir e vir, com um sorriso na face que demorava a desaparecer, o rapaz disse que já estava entregue despreocupando o homem. E assim vi o segundo milagre: um trabalhador, destes que ficam em primeiro na fila do ponto final, que estava sentado à sua frente, cedeu generosamente o lugar.
Não bastando de tantos imprevistos, Deus consentiu o terceiro e maior milagre, conseguindo a mudança das pessoas ao seu redor. Algumas trataram de desconversar, outras viraram o rosto parecendo dever alguma coisa e outras simplesmente abaixaram a cabeça teatralizando um sono estranho e repentino.
O ônibus se foi e aquele homem com sua atitude impetuosa ensinou-me algo deveras importante: percebi que as pessoas nunca devem perder as esperanças, pois se com este humilde homem aconteceram três milagres consecutivos, o mundo não pode estar realmente perdido.
Autor: Milton Roza Junior.


No Inglês

The Three Miracles
"On a weekday, waiting for a bus to start another workday, I see a man about 500 meters from
 me, around his 40 years of age, carrying in his fraternal arms a child about 5 years old. My vision was stuck in between the bus I was waiting for and the gentleman that was approaching the bus stop walking slower at every minute with that child that appeared to be quite heavy.
About 10 meters away, I noticed the cause of all that strain, for it was a special child. To put it in another way, the child did not have enough coordination to walk for so long.
The man did not appear to be revolted for having to carry that girl, for he expressively demonstrated his love for this little one, and love removes the largest of obstacles. It so happens that when he arrived at the bus stop, the bus also arrived. So he signaled to the
driver, almost too late to stop. And the driver, invariably stopped as far as he could.
I see him running desperately to the front door, but the unexpected happens: the back door opens. Any movie star boy would lose their action. Afraid the driver would take off precipitately, the tired man enters through the back door leaving many upset.
"One more wise guy", said a young woman.
"Its the front door!" said another with an absolute
face.
I was on the outside, but close and saw many people "full of reason", interpreting egocentrically his act, apparently vile.
It so happens that a man even in the desert with a flower in between his hands can demonstrate his good conduct with a small miracle, and thats what happened. In a fraction of seconds and before the bus continued its journey, a moving salesperson, the kind that infiltrates themselves in any kind of transportation, came out of the multitude of people that was accumulated in that "sardine can" e came to the notably tired man, offering him his bus pass that was already in his hands to the exchanger.
In this come and go, and with a smile on his face that took long to disappear, the man said it had already been handed, unconcerning the man. And in that, I saw the second miracle: a worker, the kind that stands in the front line of the final stop, which was seated in front of him generously, gave him his place to sit.
Not having enough unexpected occurrences, God consented the third and biggest miracle making able the change of the people around him. Some tried to dissimulate, others turned their face looking like they owed something and others simply put their head down acting out some sort of sudden and strange sleepiness... The bus went and the man with his impetuous attitude taught me something important: I realized that people should never lose hope, for with this humble man three consecutive miracles occurred, the world cant possibly be lost.

Autor: Milton Roza Junior.



Os três Macacos.
Enquanto se preparava para ir ao trabalho veio na lembrança de Kin a história de Gandhi e o que ele carregava em sua bolsa nas suas viagens. Relembrou que eram coisas simples como agulha, linha e, dentre outras miudezas, o símbolo dos três macacos; sabia que este grande homem era de uma humildade extrema, compreendia que se sua roupa se retalhasse teria agulha e linha para reconstituí-la, porém, por que motivo carregaria o símbolo dos três macacos com um tapando a vista, outro tapando os ouvidos e, por último, a boca. O itinerário de sua casa até o ofício não era tão longo assim, decidindo ir, após o relógio despertá-lo, a pé.
Morava sozinho, homem jovem e de poucos amigos, tinha só uma namorada de cada vez, pois tratava a sua libido não só como genital e sim energética como yung. Kin lia muito, porém não conseguia se esclarecer muito bem sobre símbolos e por que eram tão importantes. "Por que um homem tão inteligente quanto Gandhi carregava isto? Talvez para se lembrar sobre algo", disse a si mesmo. Kin se vestiu, percebeu que tudo estava desligado, somente a geladeira a funcionar, deu três giradas na chave da porta de saída como era de costume, rezou e começou a andar.
A uns treze metros de sua residência viu uma mulher extremamente bonita, de cabelos longos que se espalhavam pelos seus ombros, busto avantajado e corpo que lembravam ondas no mar chorando numa esquina, não sabia o que o dominava naquele momento quando viu aquela bela mulher, resolveu, então, seguir os seus instintos. Dirigiu-se a ela e, com bastante tato, tentou consolá-la perguntando: Por que uma menina tão bonita quanto você está parada nesta encruzilhada e tão triste? Não fique assim o mundo dá voltas e logo, logo tudo passa. Ela, em completa mudez, dirigiu seus olhos para Kin numa questão de micro-segundos, ele notou que seus olhos tinham um tom azul esverdeado, tinha o rosto redondo como a Lua, boca carnuda... Naquele momento ele sentiu uma atração muito grande por esta solitária mulher, fez outras perguntas para saber onde morava e se precisava de ajuda, não sabia ao certo qual delas fez primeiro, o importante era ajudá-la. Ela disse que estava morando há pouco tempo a algumas quadras dali. Ele, num tom heróico, disse que a levaria para casa, visto que era próximo ao seu trabalho e ainda estava no seu horário.
Acompanhou-a até onde disse que residia. Ela parecendo muito agradecida o convidou para entrar e tomar um café. "É o mínimo que eu posso fazer" disse a Kin. Ele sentiu-se seguro, entrou. Nem se atentou da importância das viradas de chave na tranca, como fazia costumeiramente, e também não se importou da mulher ter dito que tinha perdido o molho de chaves por isso tinha deixado a porta encostada. Sua curiosidade lhe apertava o cérebro. Kin sentou no confortável sofá da sala de estar esperou ansiosamente pelo café descafeinado. " Eu só gosto de descafeinado é mais puro", disse a mulher. Ela trouxe duas xícaras, e enquanto ela passava por sua frente, fitou suas partes sinuosas imaginando de que jeito seria sem aquele vestido vermelho. A morena fez questão de sentar bem próximo a Kin passando a xícara com uma mão e apoiando a outra em sua coxa. Ele, no mesmo segundo, a olhou e quis beijar a carnuda boca, pareciam dois ímãs se aproximando, as xícaras, ainda em suas mãos, quase caíram, contudo era o símbolo do agradecimento da moça, firmou entre os dedos e cada vez mais o corpo da mulher desaparecia em sua visão, só se percebiam as bocas meio abertas e a ofegante respiração espalhando o vapor do café por entre os corpos. Tão próximos quanto a Lua e o Sol ela desviou sua rota e beijou sua face. " Não estou pronta para isso neste momento", disse ela. Ele, pelo fato da tentação ter sido cortada, se reiterou em questionamentos. Por que não? Qual é a sua preocupação? O que você teme? Por que estava em lágrimas? A mulher então responde: "Tudo será esclarecido, vamos tomar o café sem cafeína primeiro, ele me deixa mais tranqüila". Kin, com o café mais morno, tomou de uma vez para ouvir logo suas respostas. Ela também tomou só que mais moderadamente e disse: "Vou levar esta louça, já volto, reconfortesse enquanto isso".
Kin começou ficar calmo, até demais. Pensou na sua noite mal dormida e fechou os olhos. Adormeceu. Quando acordou, olhou para o relógio e os ponteiros estavam juntos indicando ser meio-dia, tirou seu celular do bolso e viu que tinham três mensagens: uma do seu chefe, uma de sua namorada e outra desconhecida. Procurou a moça sem nome pela casa inteira, menos no sótão. Subiu a escada que o acessava, abriu a pequena porta, e o vapor da quentura do local misturado com um cheiro de podridão entrou rapidamente pelas suas narinas. Lembrou que, normalmente, próximo a entrada existe sempre um disjuntor; com mistura de temor e ansiedade ligou-o, no estalo ascenderam várias lâmpadas mostrando nitidamente o motivo de sua ida até lá. Existiam três corpos no chão: um casal de idosos e uma criança.
Uma tremedeira com bater dos dentes apossou-se de si. Desceu da escada como se descem bombeiros em filmes à procura de incêndio. Só que Kin já o tinha encontrado, os degraus que ligavam o primeiro ao segundo andar da casa pareciam de escada rolante, coisa que se faz em vinte segundos ele fez em dois. A maçaneta deslizava em suas mãos, pois o mesmo líquido viscoso do disjuntor agora estava espalhado pela sua camisa social branca, estava todo sujo de sangue coagulado. Uma sirene que se mostrava de som agudo se tornou grave e finalmente bateram na porta insistentemente dizendo: " Abra, é a polícia!!!" O fato se consumou em sua mente e realmente tudo foi esclarecido como ela dissera, e principalmente o significado dos três macacos:"
NÃO OLHE PARA O MAL, NÃO OUÇA O MAL E NÃO FALE COM O MAL".

Autor: Milton Roza Junior.

A Semente - Pedhro Jera Isa
Milton Roza Júnior

Deixo uma breve apreciação do romance intitulado: A SEMENTE - PEDHRO JERA ISA. Há milênios, o povo germânico acreditava no Poder de seus Deuses (Odin, Frigg, Thor, Baldur, Lóki etc), como os gregos e outras civilizações antiquíssimas. Essas Divindades, apesar de terem várias características humanas, eram cultuadas e adoradas pelo imaginário dos povos escandinavos e germânicos. Não há de faltar documentos em relação a isto, porém, este romance nos inicia no plantio de uma semente que virará no futuro uma planta, respeitando a agricultura que era a atividade crucial para estes povos, como hoje onde o plantio é crucial para a Amazônia. 0 romance A SEMENTE deixa, no inconsciente de quem lê, que não é apenas uma semente que se transforma num ser vivente próspero de vitalidade, é uma metáfora da transformação espiritual, mental e física do ser humano, ou de uma família, ou de toda uma civilização.
Namastê.

Autor: Milton Roza Junior.

 "Silencio"
É estranho quando me calo,
me calo frente às derrotas,
me calo frente às humilhações,
me calo frente aos elogios,
me calo frente ao turbilhão de emoções.
Há êxtase em se calar?
Talvez não, talvez sim,
Ou talvez dentro de mim,
Existe alguém querendo falar enfim.
No sexto sentido,
aquele que quando falamos nos sentimos feridos,
talvez por não utilizá-lo ou por não respeitá-lo, ´
é que existe o tal silêncio.
Lá não há vibrações,
também não há pensamentos ou emoções
placas tectônicas ou furacões
Só existe você e eu
sem intermediários ou interrupções
só um Deus e um ateu.

Autor: Milton Roza Junior

 "Silence"
It is strange when I become silent,
I become silent when I am defeated,
I become quiet when I face humiliation,
I become silent when I am eulogized,
I become quiet in a whirlwind of emotions.
Is there ecstasy in being silent?
Maybe so, maybe not,
Or maybe inside me,
There is someone who wants to speak.
In the sixth sense,
the one that we speak of makes us feel hurt,
maybe for not utilizing or respecting him,
is the reason the this silence exists.
There are no vibrations there,
no thoughts or emotions,
tectonic plates or hurricanes.
Only you and I exist,
without intermediates or interruptions
only one God and an atheist.

Autor: Milton Roza Junior