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terça-feira, 23 de abril de 2013

O NOVO SEMPRE VEM - (Crônica - Erivan)

O NOVO SEMPRE VEM - (Crônica - Erivan)
 Anos 60, 70... Tudo 'era' novo, qualquer coisa deslumbrava, hipnotizava, principalmente a nós todos que éramos ávidos por novidades e que já estávamos de saco cheio de tanta previsibilidade e mesmice.
Mas não foi só por isso que surgiram grandes ideias, grandes obras, grandes invenções, conquistas científicas, etc.
Talvez também porque essas 'novas' concepções artísticas, filosóficas, comportamentais, etc., reprimidas política e religiosamente desde há muito, irromperam como erupções vulcânicas que já não podiam mais esperar, como um parto natural que, completado o prazo da gestação, e sendo chegada a hora, rompe todas as placentas 'repressoras'. E assim surge o novo.
E a reboque do novo veio a contracultura, a quebra de paradigmas, ousadias estilísticas, sutilezas imprevistas, belezas mil...
Mas também vieram os subprodutos desse parto, como as drogas, o desbunde hippie, a gravidez 'inesperada' e facilitada pelos contraceptivos, como a pílula e a camisinha; os filhinhos abortados, as depressões e o stress do mundo moderno; sobretudo veio também o desencanto gerado por tantas expectativas 'promissoras', além de guerras frias e guerras quentes; as primeiras não declaradas, as outras sim. Mas isso eram os fragmentos da placenta e o líquido amniótico que já não eram mais necessários para conter, alimentar, ou mesmo agasalhar o rebento que finalmente era dado à luz: o 'admirável mundo novo', pensado há tempos, gestado há tempos, reprimido há tempos também, mas só recentemente parido, qual se fora um parto a fórceps, pela força mesma de uma espécie de contagem regressiva contida na semente das novidades, por um lado pacientes, porque 'souberam' esperar o longo tempo dessa lenta gestação; mas por outro lado impacientes, porque precisavam obedecer àquela programação da contagem regressiva para nascer, dita frases atrás. e que trazia em si o estranho mas também inconsciente desejo de nascer, existir, ser algo, alguma coisa.
Revolução é alguma coisa, para a qual nunca estamos suficientemente preparados.
Será por isso que funcionamos melhor e rendemos mais sob impiedosas adversidades?
Resposta: Tendo neste momento a presumir que sim, salvo melhor juízo no futuro.
 Eis aí, ao que me parece, o modo como sutilmente se expressa o inconsciente dialético da História e do vir-a-ser humano.
 Mas posso estar enganado, no todo ou em parte.

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